Uma alegre onda verde

O verde não é apenas mais uma cor. Ele está universalmente associado à natureza e simboliza a ecologia o e meio ambiente. E com o verde ecológico também vem se tornando cada vez mais forte uma onda de verdes ligados ao design, invadindo a moda e os interiores.

O verde, que começa a crescer a partir dessa onda tem mostrado uma força poderosa que tem mudado desde residências até hospitalidade, de comida a moda e de maquiagem a materiais; e é impossível ignora-lo como tendência forte.
A preocupação com as mudanças climáticas tem despertado uma grande inquietação na população mundial à medida que o aquecimento global se torna mais aparente em todo o mundo. E como reação de fuga ao problema, mecanismos entorpecedores estão sendo criados para tentar fazer com que o problema se resolva. Uma “consciência ecológica” está promovendo algumas mudanças de hábitos e comportamentos em todo o mundo, porém muitas das medidas tomadas não são construtivas, mas meramente estéticas.

Por exemplo: as pessoas estão preocupadas com os agrotóxicos e essa preocupação se reflete num aumento do consumo de produtos orgânicos, mas não em reinvindicações de controle dos produtos que envenenam os alimentos. Os movimentos de reinvindicação tem se dado pelas redes sociais, mas sem efetivo resultado, pois se perdem num mundo de viralização e comentários alarmistas vazios. O resultado é que ao invés de movimentos macro, como seria necessário, com sentimento de responsabilidade, o discurso mais tem parecido a greenwashing. É preciso muito mais para lidar com o desafio ambiental que enfrentamos. E sendo assim, as hortas domésticas tem crescido, como se fossem resolver os problemas de agrotóxicos.

Quando estamos com medo, podemos congelar, diz Susan M. Koger, professora de psicologia da Universidade Willamette, no Oregon, que ensina e escreve sobre psicologia para a sustentabilidade. “Podemos ficar paralisados pelo medo ou simplesmente desligar. Usamos vários tipos de mecanismos de defesa para distrair, desviar e entorpecer. Esse tipo de “entorpecimento psíquico” é inútil para lidar com os problemas na agricultura e até com a crise climática, claro.”

Nesta onda verde também crescem as vendas de produtos naturais, orgânicos e veganos. Os consumidores da Geração Z, por exemplo, são os que mais compram produtos de beleza e cuidados pessoais orgânicos e naturais (73%). Esse índice cai para a geração Millennial (70%); seguido da geração X (67%) e Baby Boomers (61%). Os números são da pesquisa da The Benchmarking Company (TBC), “A Nova Era dos Naturais”, realizada com 4 mil consumidores em 2018.
E nunca rótulos foram tão lidos. A origem dos ingredientes pode ser tão importante quanto a sua qualidade. Isto faz com que os produtores de alimentos busquem cada vez mais por ingredientes naturais desenvolvidos a partir de uma variedade de matérias-primas sustentáveis.

Esses consumidores possuem uma filosofia de vida que aplicam não apenas para alimentação, mas para os cosméticos, roupas e tudo o que consomem. Nota-se, por exemplo, a importância do cuidado com os animais para muitos consumidores. Para calçados e bolsas, por exemplo, muitas marcas estão optando por deixar o couro de lado, sustentando que sua produção causa matança de animais, o que não é de todo verdadeiro, já que os animais são abatidos para consumo da carne.

A influência verde está cada vez mais consolidada na vida dos consumidores que se preocupam com o cuidado, a saúde e com meio ambiente. Muitos desses consumidores acreditam que podem gerar um grande impacto com pequenas ações, o que faz com que tenham olhares cada vez mais atentos à origem do produto que consomem e aos ingredientes nele utilizados. Buscam marcas com “propósitos”.
Importante ainda falar sobre os novos “filhos” dos Millennials, os pets, que junto com as plantas sustentam seu estilo de vida sem vínculos, seja com a casa, ou com trabalho. Suas casas tornaram-se espaços que muitos já chamam de paraíso verde. As plantas se tornaram itens de decoração nos novos apartamentos com terraços, assim como na cozinha daqueles que procuram cada vez mais uma alimentação natural. O que chama a atenção é a contraposição entre espaços cada vez menores e minimalistas versus florestas urbanas – as chamadas urban jungle.

Para a geração dos Millennials isso simboliza uma consciência ambiental maior. São mais ligados a esta natureza urbana do que realmente engajados com a causa ecológica, embora reciclem o lixo, e se preocupam em comer orgânicos. As plantas tem a conveniência de não sujarem, de não precisarem de cuidados médicos e de serem facilmente transportáveis, fatores especialmente relevantes para a geração que vive sem tempo, que muda de casa com muito mais frequência do que seus pais e que, em alguns casos, até faz do lugar onde mora o seu espaço de trabalho. O cuidado com as plantas é mínimo, por isto preferem as suculentas e os cactos, que não precisam de tantas regas.
Além disto, isto tudo isto é instagramável!

A tendência faz nascerem novos negócios, toma conta dos projetos de decoração, domina o Instagram e até faz recordar os benefícios para a saúde. As casas se enchem de painéis com paisagens tropicais, assim como a moda aparece cheia de estampas de flores e folhagens, e também com verduras e frutas. E o verde prolifera como cor de base, junto aos tons neutros. Próximo dele aparece o azul, que também representa o meio ambiente aquático, que também será cada vez mais presente em nossas vidas nos próximos anos.
Os verdes hoje podem ser encontradas em uma ampla variedade de objetos e suas nuances são sempre nomeadas com nomes relativos à natureza: ervilha, quiabo, esmeralda, wasabi e sálvia, por exemplo.
Vamos esperar que essa não seja apenas mais uma moda passageira, mas que venha para ficar e o verde se multiplicar como realmente interessa!