Panorama global e comportamento de consumo para 2020

Estamos vivendo grandes e perturbadoras mudanças: correntes políticas, econômicas e ambientais atuando na cultura, no comportamento do consumidor e nas tendências emergentes. Vamos analisar um pouco do que ocorre em algumas áreas e como isto afeta o comportamento de consumo.

As marcas estão evoluindo, se tornando líderes cívicas, defensoras e até mesmo terapeutas. Estão promovendo mudanças no diálogo com o consumidor, reinventando a maneira como lidamos com tabus na vida cotidiana e potencializando novos diálogos renovadores e abertos.

Bem estar além dos produtos


Os estilistas da Schueller de Waal conversam com pessoas da plateia enquanto elas relaxam, recebem massagens e assistem ao filme da coleção

Num esforço para promover o bem-estar e aprofundar o relacionamento com os consumidores, as marcas estão indo além de seus produtos para oferecer serviços e experiências que estimulem a autorreflexão.
No lugar de uma nova coleção durante a Paris Fashion Week em outubro de 2018, o jovem estilista holandês Schueller de Waal apresentou um fashion filme num centro de bem-estar montado como uma sala de desfiles, oferecendo massagens em quanto o publico assistia a um filme da coleção.
A Tuxe, uma das marcas preferidas de Meghan Markle, oferece coaching gratuito num esforço para ajudar os clientes a se sentirem mais confiantes. A cada compra, os clientes ganham acesso a uma das 10 sessões pré-gravadas do coach de Ianna Raim. As sessões versam sobre tópicos que vão desde como lidar com contratempos até como definir metas de vida e são projetadas para ajudar as mulheres a enfrentar desafios profissionais e da vida cotidiana.
O movimento de bem-estar está agora se tornando verdadeiramente global e é claro que também está diretamente ligado à sustentabilidade da marca. Antes vista como “bom ter” e limitada – talvez embalagens recicladas – é agora quase uma obrigatoriedade e uma expectativa básica para os consumidores.

Tecnologia e Bem Estar


A Duquesa de Sussex reclama sobre as crescentes pressões causadas pelo uso de mídias sociais

A tecnologia continua mudando rapidamente e a reputação das empresas do setor estão tendo uma avaliação cada vez mais séria. O comportamento ético nesta área (ou falta dele) torna-se mais claro a cada dia. Sendo assim, estamos vendo marcas de tecnologia começarem a se diferenciar com políticas de privacidade mais éticas e fortes.
Os comentários em torno do impacto negativo da mídia social na saúde mental também tem merecido discussão pública nos últimos anos, enquanto nomes importantes como Taylor Swift, Justin Bieber e, mais recentemente, a Duquesa de Sussex falam sobre as crescentes pressões causadas pelo uso de mídias sociais.
As mídias sociais estão nos estressando e segundo pesquisas, parece que a tensão mental que a mídia social exerce sobre os consumidores pode abranger a infelicidade, a ansiedade e até a depressão. A própria equipe de pesquisa do Facebook admitiu em um comunicado que “quando as pessoas gastam muito tempo consumindo passivamente informações – lendo, mas não interagindo com as pessoas – elas relatam que se sentem piores depois”. Um estudo divulgado em março de 2018, revelou que 34% da geração Z estava abandonando a mídia social permanentemente, com 35% dizendo que há muita negatividade e 29% afirmando que ela “destrói sua autoestima”.
As empresas estão tentando recuperar a confiança colocando o bem-estar do consumidor em primeiro lugar. O Facebook tem uma seção de “bem-estar on-line” em seu site, que inclui um Portal da Juventude, ajudando os jovens a usar a plataforma com moderação e apropriadamente. Instagram estreou uma divisão Wellbeing em abril de 2018 com uma equipe dedicada a tornar a plataforma de mídia social num espaço mais saudável para visitar. Uma das primeiras tarefas foi filtrar os comentários sobre o bullying para “estimular a gentileza na comunidade”.

O cuidado no uso do Instagram


Dois usos diferentes da mesma cama por influencers que pagam 15.000 dolares mensais para desfrutarem do espaço, e o usam como se fosse sua casa, só que não

E falando ainda em Instagram, quando se trata de compras e consumo, as influências nas decisões de compra estão se tornando cada vez mais descentralizadas, pessoais e visuais. O Instagram se tornou um integrador de tendências, compras, linguagem visual e cultural. Todos os consumidores, não apenas influenciadores, se veem como marcas, curadores e criadores. Isso também tem seu lado negativo. Por um longo tempo, as marcas têm usado com sucesso experiências visualmente atraentes, ambientes e embalagens para inspirar o compartilhamento social orgânico, mas os consumidores estão ficando espertos e começando a ser mais críticos.
Será que 2019 marcará o auge do Instagram? As marcas e os consumidores começam a criticar o que se tornou uma cultura cínica de experiências visuais, projetadas expressamente para inspirar o compartilhamento; de influenciadores que compram seus seguidores; e de vidas curadas que criam ansiedade.
O lançamento do Village Marketing em Nova York no ano passado – o primeiro apartamento centrado no Instagram – deu o que falar. O espaço no SoHo, de 730 metros quadrados, decorado com sofás macios e muitos e muitos detalhes em rosa millennial, além de muito dourado e creme, foi recheado com camas de dossel cobertas por almofadas, e concebido como um local para os influenciadores realizarem sessões de fotos. O lançamento foi recebido com criticas e ironias nas plataformas sociais. Comentários na mídia e nas redes sociais estão começando a zombar cada vez mais das auto promoções na rede. O New York Times ridicularizou todas estas manifestações taxando-as de superficiais em seu recente artigo “O vazio existencial da experiência pop-up”.
Oo seja, o consumidor está de olho e é bom as marcas tomarem cuidado.