O Luxo Tradicional já não é o mesmo. Vamos ao Novo Luxo?

O conceito de luxo está mudando; e de maneira muito rápida. Se antigamente luxo era consumir um produto exclusivo e caro, hoje se trata muito mais de vivencias e experiências únicas, e menos sobre posse. A ostentação começa a ser mal vista e evitada por muitos. Mostrar status, distinção e posição social tomou novas formas.


A ascensão do streetwear ao status de luxo tem elevado as vendas de artigos AAA. Homenagear a irreverência, a perturbação ou mesmo o comportamento de risco é um bônus adicional significativo

O luxo já foi definido pela classe dominante: a realeza e a corte ditavam o padrão de luxo para estilos de vida, moda, gastronomia e até linguagem. E no decorrer do tempo o centro de poder ainda permaneceu como ditador de tendências para o segmento, mas transferindo-se para novos influenciadores: o cinema, a mídia, as celebridades, e atualmente não só eles, mas também influencers da internet e mídias sociais.
Existem diferentes razões pelas quais as pessoas compram luxo. Uma é a estética pura: algumas coisas são muito mais agradáveis de serem olhadas, cheiradas, ou saboreadas. Outra é sinalizar, ou seja, mostrar a um grupo social que pode comprar itens de luxo e pertencer a determinado grupo a partir disto. Outra razão ainda é a ideia de que não somos apenas sensíveis à aparência das coisas, mas às crenças sobre sua criação. Alguns itens de luxo atraem não apenas por causa da estética, ou sinalização, mas porque o prazer é profundo. Num tempo em que as riquezas mais valiosas são aquelas que não podemos comprar, como o tempo, as emoções, as relações, etc., TER começa a perder cada vez mais importância em relação a SER. E o conceito de exclusividade não é a mais a única variável para determinar se algo é luxo ou não. O luxo acompanhou a fluidez do mundo e pode ser visto sob diversos pontos de vista.
No geral, podemos identificar cinco tipos principais de consumidores de luxo, todos pertencentes a diferentes faixas etárias, motivadores psicológicos, hábitos de mídia e muito mais.


O chef Victor Dimitrow do restaurante Petí Gastronomia em São Paulo resolveu levar o luxo de experiência a todos. Já ganhou o segundo Bib Gourmand do Guia Michelin!

O primeiro grupo é dos que veem o luxo como a evidência do sucesso. Este é um dos grupos mais jovens, com o maior percentual de integrantes da geração dos millennials. Estão no início de suas carreiras, mas acabarão por ingressar nas faixas de renda mais altas. São influenciados por influenciadores de mídias sociais, familiares e programas de TV. Suas compras de luxo incluem bebidas, moda, carros e viagens. São suscetíveis a marcas que comunicam aspirações e sonhos, num sentido bem escapista.

O segundo grupo é formado pelos criadores de tendências, que veem o luxo como uma maneira de se diferenciar. Este grupo também tem uma porcentagem grande de Millennials, que ao fazer compras são influenciados principalmente pelas mídias sociais, sites de compras e seus amigos nas redes sociais. Adoram as marcas que comunicam a eles que podem manter seu status de ponta.

O terceiro grupo é formado pelos estetas, aqueles que definem o luxo como o auge da estética e do design. Este é o grupo com maior porcentagem de mulheres e das gerações X e Baby Boomers, com renda bem alta. Ao consumir são mais propensos a serem influenciados por sites de marcas, análises on-line e pesquisas, principalmente se tiverem referencia a seus produtos e serviços prediletos: viagens, moda e carros. E se tudo isto estiver acompanhado por uma comunicação que inclua celebridades e influencers da área criativa, melhor ainda.

O quarto grupo é daqueles que veem como luxo os serviços de qualidade insuperável. Também é formado por integrantes das gerações X e Baby Boomers em sua maioria e também são influenciados por pesquisas, avaliações on-line e recomendações de seus amigos. Viagens de experiências é seu item de maior consumo. Este grupo também está procurando se diferenciar através da educação, consumindo cursos de qualidade, viagens de cultura e aprendizado, e principalmente colocando seus filhos em escolas que lhes proporcionem educação para um mundo global. E estas escolas têm valores altíssimos nas mensalidades, o que os inclui como consumidores de luxo de experiências de luxo.

E por ultimo, o quinto grupo é daqueles que veem o luxo como um modo de vida significativo e inclui não só Millennials e os da geração X, mas em sua grande maioria os Baby Boomers. Ao fazer compras, é mais provável que eles sejam influenciados por sites de marcas. Quando perguntados sobre suas recentes compras de luxo, eles provavelmente compraram viagens, seguidas por carros e moda. Ao contrário de alguns dos grupos, as marcas podem e devem minimizar o status e a imagem como parte de suas comunicações. Em vez disso, elas devem se concentrar em comunicar o conforto e a facilidade que seus produtos ou serviços proporcionam. E, claro, devem envolver representação destes consumidores mais velhos.


Poder trabalhar em casa, em espaços multifuncionais permite unir trabalho e lazer. Um luxo!

E além destes grupos, é importante ressaltar também as tendências que impactam as marcas de luxo hoje. Quando se trata de produtos, a compra de artigos de luxo ainda é motivada pela magia e inovação que as marcas transmitem e que provocam desejo no consumidor. E falando de moda, as marcas se esmeram em acompanhar a evolução da sociedade para que seus produtos e comunicação atinjam justamente seu publico alvo e desperte nele inspiração e fantasia.
Podemos perceber que a força das marcas ainda é muito poderosa quando vemos a reinvenção de muitas delas. A Gucci, por exemplo, é a marca mais conhecida e mais desejada da atualidade. Entre as mais conhecidas estão Chanel, Michael Kors e Tiffany & Co. Entre as mais desejadas, a Gucci é seguida por Michael Kors e Louis Vuitton.
Essas marcas têm procurado novos caminhos para atingir as gerações influenciadas por sua comunicação digital, voltando-se para o streetwear cada vez mais e para a descontração, tão apreciada pelos Millennials, que não consomem produtos que não mostrem inovação ou propósito perceptível. A Gucci tem crescido muito justamente pela ascensão do streetwear ao status de luxo. Chegou até a modificar seu logo com uma fonte atribuída à marca de jogos japonesa SEGA em sua coleção para o Verão 2018. Alessandro Michele, seu novo diretor criativo adora usar referencias pop e é grande impulsionador das mudanças, com seu maximalismo que chamou a atenção de varias gerações.


Para atingir os millennials, a joalheria Tiffany adota novos ares na fachada de sua loja da quinta Avenida.

Mudanças também aconteceram na Tiffany, também na lista das marcas de luxo mais desejadas. Sua loja em Nova York, na Quinta Avenida foi palco de transformações no lançamento da campanha #Tiffanyblue neste ano. Do luxo clássico passou a adotar uma atitude mais voltada para a geração Millennials. A fachada de sua loja parecia ter sido pichada com tinta, mas via-se que era o azul tradicional da marca, que “escorria” pelas paredes e vitrines.
No setor de serviços, não se fala em outra coisa que não seja experiência. Por isto as startups estarem buscando espaço no mercado de luxo. Os serviços oferecidos com qualidade podem arrebatar consumidores de luxo, mesmo porque a palavra experiência é de domínio publico e não só as marcas podem usa-la. Só vai ser preciso ter cuidado no uso. Parte do valor da sofisticação é a exclusividade ou a escassez. Uma palavra muito usada tende a perder a imagem de única.
Nas relações de trabalho o luxo também chegou. Muitas empresas adotaram o sistema do trabalho a distancia, em que o empregado pode trabalhar de casa, em horários flexíveis e serem senhores do seu tempo, atualmente um luxo. O período que era gasto no transito ate o local de trabalho agora pode ser aproveitado em família ou para o lazer. Quer luxo maior do que podermos viver de forma mais humana e mais plena?