Influenciadores Humanoides: o fenômeno nas redes sociais

O panorama da publicidade digital mudou drasticamente na última década. Atualmente, as plataformas de mídia social têm o maior tráfego na Internet, e os hubs de compartilhamento, como o Instagram, se tornaram o maior ponto de contato cultural para milhões de pessoas em todo o mundo. A linguagem utilizada para a comunicação vinha sendo a mesma, através dos influencers, mas a geração dos Millenials quer sempre mais e mais novidades e agora as marcas investem em influenciadores humanoides para chamar a atenção deste publico sedento pelo novo.


A beleza de Shudu Gram, a modelo virtual que conquistou o Instagram

O marketing de influência em uma das redes sociais mais poderosas, o Instagram, é estimado pela Mediakix como valendo um bilhão de dólares. E as marcas vêm investindo pesado: nos últimos cinco anos, 90% delas aumentaram seu orçamento de mídia dedicado à exposição nas redes sociais, blogs, etc. Embora a publicidade seja cara, um post patrocinado no Instagram tem grande visibilidade e acima de tudo um alto impacto na geração dos Millenials.
Nos últimos meses, influenciadores recém-chegados estão fazendo uma aparição triunfal e dando o que falar. Eles têm rostos perfeitos, milhares de seguidores e um estilo de vida invejável, mas não são humanos. Eles são influenciadores humanoides ou robôs, e se tornam cada vez mais populares nas redes sociais, cativando o público humano com seus estilos de vida particulares e interações digitais. Esses personagens fictícios são criados principalmente por agências de marketing e comunicação e são gerenciados por usuários externos, pois ainda não estão ligados à inteligência artificial que lhes permitiria interagir.


Lil Miquela na campanha para a Prada

Um dos mais populares humanoides é @lilmiquela, ou Miquela Sousa, uma modelo de 19 anos, lábios carnudos, apaixonada por música e que diz ser de Downey, Califórnia. Miquela começou como um projeto de arte de Trevor McFedries e Sara Decou em 2016 e no início muitos pensaram que era uma campanha publicitária para anunciar uma nova versão do jogo The Sims. O perfil humanoide foi oferecido para campanhas, mas a maioria rejeitou a proposta de um robô fingindo interagir como um ser humano. No entanto, o perfil foi lançado no Instagram e em meio à polêmica e curiosidade, o numero de seguidores de Miquela no Instagram cresceu e hoje ela tem mais de 1,4 milhões de seguidores e uma conta verificada. Tudo mudou: Lil Miquela, a mais conhecida ginóide (ou fembot – um robô humanóide feminino), que apoia firmemente o movimento Black Lives Matter, foi escolhida pela Prada para assumir a conta do Instagram da marca durante a semana de moda de Milão, se tornou o rosto do famoso maquiador Pat MacGrath e recentemente fez uma colaboração com a Nike. É uma lista impressionante de conquistas para uma humanoide. A Brud, empresa especializada em inteligência artificial, que criou a jovem, criou agora seu irmão mais ousado, Ronnie Blawko.


Lil Miquela para o editorial da revista V Magazine exibe nada menos do que Chanel

Outra ginóide que se tornou famosa é Shudu Gram, uma deslumbrante modelo negra com um pescoço de gazela, que é agora o rosto da marca de Rihanna, Fenty. @shudu.gram foi criada pelo fotógrafo britânico Cameron James Wilson, que a vê como uma fantasia artística, essa supermodelo digital está criando um forte sentimento que vai da admiração à indignação. Seu criador é acusado de roubar trabalho de modelos negras reais, que já sofrem discriminação no mundo da moda. Alem disto, se os padrões de beleza ainda não fossem altos o suficiente, agora existem modelos super perfeitos que realmente não existem.


Noonoouri encontra Carine Roitfeld na capa da revista feminina do jornal francès Figaro

E assim têm surgido outros perfis, tentando fugir de polêmicas, como Noonoouri, tida como uma escolha mais segura pela Dior, quando fez com que ela assumisse a conta da marca para a coleção Cruise, apresentada no castelo de Chantilly. @noonoouri é menos humanoide em forma, com um perfil de boneca e grandes olhos em estilo mangá e não causa os mesmos protestos que suas concorrentes. Ela é como um avatar, ao invés de tentar se passar por um ser humano.
O que se apreende de todos os comentários e polêmicas, é que é preciso ter cuidado para encontrar o equilíbrio certo e a colaboração correta. Influenciadores que são realmente conectados aos valores de uma marca serão muito mais eficazes e relevantes em transmitir sua mensagem ou exibir seus produtos. A qualidade do relacionamento com os seguidores, assim como o nível, tornou-se primordial. Os usuários das redes podem ler nas entrelinhas e reconhecer rapidamente quais relacionamentos da marca são sinceros e genuínos. Quando a estética e a ética vêm juntas, as marcas podem ganhar muito. A obtenção de uma resposta emocional dos consumidores é uma ferramenta de alavancagem fundamental no processo de compra e, mais ainda, na fidelização. Definir claramente a identidade da marca e defender seus valores são pontos importantes para conquistar clientes, que hoje em dia estão procurando por significado.
O marketing de influência no Instagram tornou-se uma obrigação para as marcas que desejam ter um relacionamento real com seus clientes, mas os últimos anos revelaram as armadilhas a serem evitadas. Escolhendo seus influenciadores cuidadosamente, olhando mais do que apenas o número de seguidores, e focando em relacionamentos autênticos a longo prazo. Mais uma vez, uma identidade de marca claramente definida é essencial. Emoção, sinceridade e exclusividade são critérios chave, e isso também vale para os influenciadores humanoides.